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A PELE E SEUS ANEXOS

A pele é um órgão integrante do sistema tegumentar, um revestimento externo do corpo. Tem como principal função proteger as partes internas do meio externo. Além disso, a pele tem outras funções como: reserva de nutrientes, regulação da temperatura somática, e contém terminações nervosas sensitivas. A pele é o maior órgão do corpo humano e o mais pesado. Geralmente tem uma espessura de 2 a 4 mm nas palmas das mãos e na planta dos pés, 4 mm no couro cabeludo e na face 0,5 a 1,5 mm tem um adulto. O peso da pele também varia de 200g num bebê a 4 kg no adulto, é praticamente igual em todos os grupos étnicos humanos. Há algumas pequenas variações, como por exemplo, nos indivíduos de pele escura, onde os melanócitos produzem mais melanina do que indivíduos de pele clara, porém mesmo assim o número é semelhante. A pele apresenta duas camadas, a derme e a epiderme. E logo abaixo da derme, encontramos a tela subcutânea, ou hipoderme, que é uma camada de tecido conjuntivo frouxo. Além disso, há vários órgãos anexos como glândulas sudoríparas e sebáceas, folículos pilosos, etc.

1 – EPIDERME

A epiderme é a primeira camada da pele, consiste em um epitélio pavimentoso estratificado e queratinizado, de origem ectodérmica. Sua espessura varia aproximadamente de 0,04 a 1,5 mm de acordo com a topografia; 95% das células que compõem a epiderme são queratinócitos organizados em 4 camadas que se renovam continuamente. São elas: camada basal ou germinativa, camada espinhosa, camada granulosa e camada córnea. A camada mais profunda, a basal, apresenta atividade mitótica, e os queratinócitos resultantes da divisão celular sofrem diferenciação à medida que são empurrados para as camadas mais superiores, sintetizando quantidade crescente de queratina no seu citoplasma. O tempo de maturação de uma célula basal até atingir a camada córnea é de aproximadamente 26 dias.

As camadas da epiderme estão dispostas de modo que sua superfície é relativamente plana, com exceção das áreas das pregas cutâneas, submetidas a extensões e contrações. A base da epiderme é sinuosa, formada por cones epidérmicos que se projetam na derme e encontram-se intercalados com projeções digitiformes da derme denominadas papilas. Essa disposição confere grande adesão da epiderme com a derme e maior superfície de contato entre elas, permitindo uma área eficaz de troca entre esses dois componentes, já que a epiderme é avascular e sua nutrição deriva dos capilares dérmicos. Intercalados entre os queratinócitos, há outros tipos celulares, como os melanócitos, as células de Langerhans e as células de Merkel.

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CAMADAS DA EPIDERME

     a.  CAMADA BASAL

É a camada mais profunda da epiderme, delimitando-se com a derme. É constituída habitualmente por única camada de queratinócitos que possuem citoplasma basófilo e núcleos grandes, alongados, ovais e hipercromáticos, em contínua divisão mitótica.

     b.  CAMADA ESPINHOSA OU MALPIGHIANA

Situa-se logo acima da camada basal e é formada por 5 a 10 camadas de queratinócitos com configuração poliédrica, achatando-se progressivamente em direção à superfície, com seus maiores eixos paralelos a esta.

As células espinhosas estão unidas mecanicamente entre si e às células basais subjacentes por meio de pontes intercelulares denominadas desmossomos, estruturas complexas que conferem à pele resistência a traumas mecânicos. Na camada basal, há apenas uma placa de aderência ligando a membrana plasmática das células basais à membrana basal; essas estruturas de adesão são chamadas hemidesmossomos. Anormalidades dos desmossomos causam separação das células (acantólise), com formação de bolhas ou vesículas na epiderme. É o que ocorre em doenças autoimunes como pênfigo foliáceo e pênfigo vulgar, onde há produção de anticorpos contra as desmogleínas 1 e 3 (constituintes dos desmossomos), respectivamente.

    c. CAMADA GRANULOSA

É composta por 1 a 3 camadas achatadas de queratinócitos com formato losangular e citoplasma repleto de grânulos de querato-hialina, que dá origem à filagrina, importante componente do envelope das células corneificadas. Nesta camada, já se observam, além da filagrina, os outros componentes necessários para a morte programada das células e a formação da barreira superficial impermeável à água, como involucrina, queratolinina, pancornulinas e loricrina.

Na pele da região palmoplantar, há uma camada adicional entre as camadas granulosa e córnea denominada estrato lúcido. Suas células são anucleadas e formam uma faixa clara e homogênea, fortemente coradas pela eosina à microscopia óptica.

   d. CAMADA CÓRNEA

É a camada mais superficial da pele. Sua espessura é variável de acordo com a topografia anatômica, sendo maior nas palmas e plantas. O processo de maturação dos queratinócitos está completo no estrato córneo, apresentando células anucleadas com um sistema de filamentos de queratina imerso em uma matriz contínua circundada por membrana celular espessada.

CÉLULAS DA EPIDERME

   a. MELANÓCITOS

São células dendríticas de origem ectodérmica que sintetizam pigmento melânico. Localizam-se na camada basal e seus dendritos estendem-se por longas distâncias na epiderme, estando em contato com muitos queratinócitos para os quais transfere melanina. O melanócito e os queratinócitos com os quais se relaciona constituem as unidades epidermomelânicas da pele, numa proporção de 1 melanócito para 36 queratinócitos, respectivamente.

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   b. QUERATINOCITOS

Os queratinócitos, também conhecidos como ceratinócitos, são células diferenciadas que compõem o tecido epitelial e invaginações da epiderme para a derme, como é o caso das unhas e cabelos, responsáveis pela produção de queratina.

Estas são as células mais comumente encontradas na epiderme, representando 80% das células epidérmicas. Os queratinócitos compõem o epitélio estratificado pavimentoso queratinizado que é formado por cinco regiões ou estratos discretos. A primeira região, localizada mais internamente, recebe o nome de camada basal ou estrato basal, que sintetiza constantemente novas células para a epiderme, bem como conecta a epiderme na derme por meio da lâmina basal que ela origina e dos hemidesmossomas fixados a ela.

    c. CÉLULAS DE LANGERHANS

São células dendríticas originadas na medula óssea que constituem 2 a 8% das células da epiderme e localizam-se na camada espinhosa. Na microscopia eletrônica, são caracterizadas por estruturas citoplasmáticas denominadas grânulos de Birbeck, que se assemelham a uma raquete de tênis. Têm função imunológica, como células apresentadoras de antígenos aos linfócitos T.

   d. CÉLULAS DE MERKEL

São células de origem controversa encontradas nas extremidades distais dos dedos, lábios, gengivas e bainha externa dos folículos pilosos. Alguns acreditam que sejam de origem neuroendócrina, pois apresentam grânulos intracitoplasmáticos com substâncias neurotransmissoras e estão em contato íntimo com fibras nervosas da derme, constituindo os discos de Merkel, que provavelmente são mecanorreceptores.

2 – DERME

A derme é a 2ª camada da pele situada logo abaixo da epiderme, formada por denso estroma fibroelástico de tecido conectivo em meio a uma substância fundamental, que serve de suporte para extensas redes vasculares e nervosas, e anexos cutâneos que derivam da epiderme.

Os principais componentes da derme incluem o colágeno (70 a 80%) para resistência, a elastina (1 a 3%) para elasticidade e os proteoglicanos, que constituem a substância amorfa em torno das fibras colágenas e elásticas.

A derme divide-se em papilar (mais externa), reticular (mais interna) e derme perianexial. A derme papilar é mais delgada, altamente vascularizada e preenche as concavidades entre as cristas epidérmicas, dando origem às papilas ou cristas dérmicas. É formada por feixes delicados de fibras colágenas (principalmente do tipo III) e elásticas, dispostas em uma rede frouxa, circundada por abundante gel de mucopolissacarídeos. A derme reticular compõe a maior parte da espessura da derme, está abaixo do nível das cristas epidérmicas e é constituída de fibras colágenas (principalmente do tipo I) entrelaçadas, além de fibras elásticas que estão dispostas paralelamente à superfície da pele. A derme contém população mista de células, incluindo fibroblastos, fibrócitos, macrófagos teciduais, melanófagos, mastócitos e leucócitos sanguíneos (como neutrófilos, eosinófilos, linfócitos, monócitos e plasmócitos).

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VASCULARIZAÇÃO

O suprimento vascular da pele é limitado à derme e constitui-se de um plexo profundo em conexão com um plexo superficial. Estes plexos correm paralelos à superfície cutânea e estão ligados por vasos comunicantes dispostos perpendicularmente.

 ANEXOS CUTÂNEOS

As unidades pilossebáceas são encontradas sobre toda a superfície da pele, exceto nas regiões palmoplantares, nos lábios e na glande. Compõem-se de uma haste pilosa circundada

por bainha epitelial contínua com a epiderme. Na porção mais inferior do folículo piloso, há uma expansão chamada de bulbo piloso, que contém a matriz do pelo. Nela ocorre a atividade mitótica do pelo e encontram-se os melanócitos, sendo, portanto, responsável pelo crescimento e pigmentação do pelo. Há dois tipos de pelo: o lanugo ou pelo fetal, que são curtos, delicados e claros; e o terminal, mais grosso, escuro e grande, encontrado nas axilas, cabelos, barba e região púbica.

 Os pelos não crescem continuamente, e sim de maneira cíclica, podendo-se identificar 3 fases distintas:

1. Anágena: fase de crescimento ativo, com duração de 2 a 3 anos; corresponde a 85% dos cabelos;

2. Catágena: fase de involução, com duração de 3 semanas; corresponde a 1% dos cabelos;

3. Telógena: fase de queda, com duração de 3 a 4 meses; corresponde a 14% dos cabelos

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As glândulas sebáceas são glândulas holócrinas cuja função é produzir o sebo, que é uma combinação de ésteres de cera, esqualeno, ésteres de colesterol e triglicérides.

GLÂNDULAS SUDORÍPARAS ÉCRINAS

As glândulas sudoríparas écrinas derivam da epiderme e não pertencem à unidade pilossebácea. Cada glândula é um túbulo simples com um segmento secretor enovelado situado na derme e um ducto reto que se estende até a superfície da pele. São inervadas por fibras simpáticas, mas têm a acetilcolina como mediador.

GLÂNDULAS SUDORÍPARAS APÓCRINAS

As glândulas sudoríparas apócrinas derivam da epiderme e fazem parte da unidade pilossebácea, desembocando, em geral, nos folículos pilosos. Localizam-se nas axilas, escroto, prepúcio, pequenos lábios, mamilos e região perineal, além de, modificadamente, nas pálpebras (glândulas de Moll), mamas (glândulas mamárias) e conduto auditivo externo (glândulas ceruminosas).

UNHAS

São placas córneas localizadas no dorso das falanges distais dos quirodáctilos e pododáctilos. São compostas por 4 partes: a raiz, parte proximal recoberta por uma prega de pele chamada de prega ungueal proximal; a lâmina, que está aderida sobre o leito ungueal; as dobras laterais, que cobrem as bordas laterais da lâmina ungueal; e a borda livre.

No leito ungueal, a epiderme apresenta somente a camada basal, que se torna opaca na sua parte proximal, formando a lúnula. Aí encontra-se a matriz, que tem intensa atividade proliferativa e é responsável pelo crescimento da unha.

3 – HIPODERME (TELA SUBCUTÂNEA)

 

É constituída por tecido adiposo, e tem como função: proteção térmica, reservatório energético, fixação dos órgãos e absorção de choque.

CICLO CELULAR DA PELE

A pele normal produz cerca de 1260 células por dia para cada centímetro quadrado e essas células são provenientes de 27000 células; a pele do doente de psoríase produz 35000 novas células a cada dia para cada centímetro quadrado e essas células provêm de 52000 células. A duração normal do ciclo celular da pele é de 311 horas, mas se reduz para 36 na pele psoriática.

 

Fontes: 

1.  JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchoa; CARNEIRO, José. Histologia básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
2. MOORE, K.L. – ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, 6ªED, GUANABARA KOOGAN, 2011.
3. STANDRING, S. – GRAY´S ANATOMIA, 40ED, ELSEVIER, 2010. ANATOMIA, 29ED, GUANABARA KOOGAN, 1988.
4. SNELL, R.S. ANATOMIA CLÍNICA PARA ESTUDANTES DE MEDICINA, 5ED, GUANABARA KOOGAN, 2000.

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